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Folha avulsa: forma de divulgação do ensino das Ciências PDF  | Imprimir |
Folha Avulsa

Resgatar a história do ensino das Ciências a partir do reconhecimento do trabalho do professor em situação de sala de aula é a ideia básica da Folha Avulsa.
Folha porque é o registro de um momento considerado significativo em que a aprendizagem ocorre. Avulsa para facilitar o registro durante o próprio processo de ocorrência da situação da aprendizagem. E a contribuição escrita que se pode exigir de um professor, nos limites do seu trabalho de ministrar aulas seguidas; visa documentar a situação de um contexto em que produção e transmissão de conhecimento se harmonizam. A proposta é descaracterizar a tendência do ensino das Ciências marcada pelo conteúdo ditado pelas Ciências, sem a consideração do aspecto educacional. Sendo avulsa instiga a investigação de sua sequência segundo a mesma proposta metodológica para se organizarem programas. 
Embora o professor trabalhe sozinho, não é tarefa para um só; a proposta inclui a participação de alunos auxiliando no registro e na organização de apontamentos, num trabalho em que ao mesmo tempo estão atestando a sua aprendizagem no contexto em que ocorre, ou seja, consideradas as limitações, dentro do possível, do chamado “real” da sala de aula. São registradas as manifestações ocorridas durante a aula e consideradas evidências de aprendizagem; o conteúdo para uma Folha Avulsa surge de uma dúvida, comentário ou resposta apresentada em sala de aula, ou mesmo de uma conversa ou discussão sobre assunto relacionado a programas de Ciências. O registro refere-se às manifestações dos professores e alunos, documenta a trajetória do raciocínio – evidenciado por esquema, referências, comentários –, como a interação ocorre, os meios que levaram à aprendizagem dos alunos. A documentação sistemática destes momentos permite o conhecimento de processos educacionais, cuja importância escapa aos próprios professores que os possibilitam. Investir na formalização e divulgação destes momentos é a proposta da Folha Avulsa.
 
Como seria a linguagem? A de um trabalho de divulgação, com o estilo de cada grupo, evitando descrições. A Folha Avulsa não precisa ser longa, no máximo 2 a 3 laudas, com caráter de divulgação científica. A redação, em geral, é refeita muitas vezes e, antes da divulgação, a Folha Avulsa é avaliada em sala de aula. Esta avaliação é acompanhada de registro, que geralmente sugere nova Folha Avulsa. Para divulgação são selecionadas as que mais bem retratem as situações de aprendizagem criadas pela interação professor-aluno.
 
No LEC, Laboratório de Ensino de Ciências da FFCLRP – USP (1981-2000), redigimos algumas Folhas Avulsas e concluímos que a proposta é complexa. Há muita dificuldade em romper a resistência de alunos e professores ao registro e à aceitação de que ele consegue investigar o seu programa (ou parte dele). Iniciar grupos de trabalho também é difícil. Situações importantes percebidas que merecem registro e que levaram à redação de Folhas Avulsas são: alunos do ensino médio não dominam o conceito de tempo e por isso não entendem a história, fósseis, evolução da Terra, dos seres vivos; professores trabalham com o conteúdo dos livros didáticos, em que conceitos como germinação de sementes são incompletos; a vida microscópica é difícil de ser imaginada; o comportamento de animais é sempre uma curiosidade; interesse em conhecer os critérios básicos para proceder à classificação de vegetais, entre outros.
 
A oportunidade de conviver com especialistas que nos assessoram e mais diretamente o aluno – o futuro professor – nos permite perceber as condições em que se processa o ensino de Ciências e o que há de bom nas nossas escolas que vale ser divulgado.
 
Mediante “cortes” em aulas de agora, registrar e divulgar a história do ensino das Ciências – evidenciando momentos importantes para sua melhoria – é mais um objetivo das Folhas Avulsas, parte significativa na construção da Memória da Escola.
 
Insistimos: é um trabalho para grupos, com assessoria e colaboração das instituições entre si, principalmente universidades, através do intercâmbio entre cursos de licenciatura e escolas de ensino básico. Trata-se de valorizar o professor e de resgatá-lo em condições reais, na medida do possível, fortalecendo a escola pública.
 
Texto: Profa. Dra. Marisa Ramos Barbieri, coordenadora da Casa da Ciência.
 
Originalmente publicado: Em Aberto, Brasília, ano 7, n.40, out/dez. 1988.
 
 
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