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Qual a ligação das mutações genéticas com a evolução?

Este texto trata da segunda parte do encontro sobre biodiversidade entre os alunos do “Adote um Cientista” e a professora Dra Maura Helena Manfrin. da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP - USP), que atua na área de genética evolutiva. 
 
Evolução e genética
 
A evolução é a mudança na composição gênica da população ao longo de gerações, ou seja, transformações nas características das espécies resultam da modificação na frequência de variantes de genes de um determinado gene dentro de uma população.
 
 
 
Evolução e ambiente
 
Uma mudança de temperatura no ambiente que persiste por muito tempo pode alterar a pressão de seleção sobre os indivíduos, selecionando os mais adaptados àquela nova condição, o que pode resultar em mudança na composição genética da população ao longo do tempo. 
Em 2009 foi comemorado os 200 anos do nascimento do Charles Darwin, que publicou, em 1859, o livro “A Origem das Espécies”. Darwin escreveu neste livro detalhes e em linguagem acessível a “Teoria da Evolução”. O encontro do “Adote um Cientista” conduzido pela professora Clarice Harumi Sakamoto, doutora em genética, trata da viagem de Darwin a bordo do Beagle, confira.
 
Teoria da Evolução
 
Diferente do que se imagina, o longo pescoço da girafa não tem emprego relacionado com a alimentação, pois elas não comem exclusivamente folhagens que estão no alto, como explicou a pesquisadora Maura no encontro do “Adote”.
Maura: “Normalmente, as girafas não comem as folhas que estão na altura dela, elas se abaixam para pegar folhas um pouco abaixo. Isso acontece com os machos e fêmeas”.
 
Para beber água, a girafa precisa abrir as pernas dianteiras para poder alcançar a água.
 
Como a seleção natural favorece um pescoço desse tamanho?
 
Aparentemente, este pescoço não traz vantagem na alimentação e nem mesmo na hora de beber água, entretanto, no momento das brigas entre os machos pelas fêmeas para o acasalamento ele tenha sido favorecido por funcionar como uma alavanca. O pescoço maior favorece o aumento da força de arranque quando as girafas batem a cabeça no combate. Na luta por sobrevivência, defendida por Darwin, essa é a hipótese mais aceitável.
 
Aluno: “De acordo com a evolução, os animais evoluíram para melhorar o corpo. O alce pode ter evoluído para batalhar?”. 
Maura: “Nunca evolui para melhorar. A evolução por seleção natural leva ao melhor ajuste ao ambiente naquele momento. Não existe uma coisa definitiva no processo evolutivo, mudou o ambiente, ficou mais quente, então pode mudar todo o curso evolutivo dos grupos”.
Aluno: “Eu ouvi, não sei se é verdade, que girafa vai ter galhada”.
Maura: “A evolução não tem previsão, há mutações que surgem por erros. Não surgem porque é bom para a espécie, tem que haver uma variabilidade genética para que isso ocorra”.
 
O acaso
 
A mudança genética que promove as modificações nas espécies não é só por seleção natural, também pode ser por acaso. Simplesmente uma quantidade de material genético não é passado de uma geração para outra. 
Maura: “Os cavalos em marcha subindo uma montanha, o caminho é muito longo e só chegam vivos aqueles que são mais fortes. Esses cavalos que chegam lá em cima “vencem” devido à seleção, mas se durante a subida dos cavalos, vamos supor que eles sobem em linha, surge uma pedra e mate todos os cavalos que estão no meio dessa fila, então apenas os que sobreviveram fundaram nova população. Nesse caso, essa nova população foi fundada somente por aqueles que sobraram, não necessariamente os indivíduos mais fortes, isso chamamos de acaso”.
 
Novas espécies 
 
Alunos: “Através da evolução é possível de uma espécie surgir outra?’
Maura: “Sim, mas complica um pouquinho. O que é a espécie? Vamos pegar o lobo-guará, uma espécie do cerrado que está ameaçado de extinção. Temos o lobo-guará na Serra da Canastra no sul de Minas, alguns no interior do estado de São Paulo, a espécie está distribuída em uma área geográfica grande. Mas não é em todo lugar que tem o lobo-guará, porque há  lugares que ele não sobrevive. Existem conjuntos de indivíduos, que compõe o todo. Nessas populações vão surgindo variações independentemente, então a mutação que surge nesse animal que está na Serra da Canastra é diferente das mutações que estão ocorrendo em Goiás, por exemplo”. 
 
A alimentação, presa e predadores são diferentes nestes ambientes distintos, então a pressão de seleção natural também pode ser diferente. Se essas populações forem mantidas isoladas, podem acumular diferenças e, em um tempo maior, se tornarem espécies diferentes. Uma espécie não dá origem à outra, são as populações de uma determinada espécie que acumulam diferenças e podem se tornar tão diferentes que passam a ser reconhecidas como uma nova espécie. 
Maura: “Para entender evolução tem que compreender como as espécies evoluem”.
 
Este texto tem como objetivo reportar a interação entre alunos e pesquisador e os conceitos tratados durante os encontros do programa “Adote um Cientista”.
Encontro realizado em 23/06/2010.
 
 

 

 
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