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O que é biodiversidade?
Em uma tarde na Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto, a professora Dra Maura Helena Manfrin, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP - USP), que atua na área de genética evolutiva, conversou sobre biodiversidade com alunos do ensino básico, participantes do programa “Adote um Cientista”. 
O termo biodiversidade refere-se à riqueza, variedade e variabilidade existentes entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas e compreende a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitat e ecossistemas formados pelos organismos.
 
 
 
Maura: “O que é biodiversidade?”.
Alunos: “Diversidade de animais, plantas, bactérias.”
 
A biodiversidade é mais que isso, ela não está restrita a número de espécies de uma região. Com a observação de dois locais diferentes de uma floresta tropical, sendo que um possui área mais fechada e úmida, e outro mais aberto e plano - mais árido -, é possível notar certa variedade de espécies. Mesmo que o número de espécies seja igual nos dois locais, as relações (interações) entre os seres e o ambiente são diferentes. Esta característica também faz parte da biodiversidade, ou seja, além da variedade (número) de espécies, a forma como vivem também é fator do conceito de biodiversidade. 
 
Em uma região mais úmida e outra próxima da restinga, contendo 100 espécies de plantas e 100 espécies de pássaros nos dois ambientes, as relações entre os seres vivos são diferentes. Na primeira os seres têm um ajuste para sobreviver no ambiente mais úmido, já na segunda eles têm ajuste para viver em ambiente seco. Mesmo que tenha o mesmo número de pássaros em uma e outra região, certamente há várias diferenças entre eles, como a maneira com os pássaros fazem seus ninhos, o local (no topo da árvore ou nas rochas), os materiais (usando galhos ou barro), entre outros.
 
Cactos
Uma área árida e desértica, como a caatinga, possui muitos cactos, que tem como característica as folhas reduzidas, que são os espinhos. Como a quantidade de água no solo é pequena, provavelmente, eles morreriam na floresta tropical por causa do excesso de água presente no solo deste outro ambiente. O cacto sofreu ajustes durante muito tempo (evolução) para habitar, da melhor forma possível, o ambiente árido. Este ajuste também é biodiversidade.

 
As diferenças de temperatura, tipo de solo, umidade e altitude de diversos ambientes levam à formação de diferentes espécies ao longo do tempo. Esta complexa relação, que acaba selecionando os seres vivos mais aptos, também faz parte da biodiversidade. 
As regiões de mangue têm características próprias, como as fases de alagamento. Nelas vivem alguns crustáceos que não conseguiriam sobreviver em uma floresta tropical. A vegetação tem adaptações específicas, como as raízes aéreas, que são partes da raiz que ficam fora da água e tem um mecanismo (de ajuste) que lhe permite captar oxigênio do ar, já que o solo é pobre neste elemento.
 
Espécies e ambientes
Os seres vivos possuem formas de sobrevivência que os auxiliam a enganar os predadores, como por exemplo, a camuflagem. Este também é um fator que compõem o conceito de biodiversidade. 
Maura:“As cores dos animais, por exemplo, alguns tem cores de advertência ‘avisando’ aos predadores que são venenosos. O dimorfismo sexual também é biodiversidade. A fêmea do pavão não é atrativa, o macho é bem bonito, com sua cauda exuberante, assim como o macho do leão com sua juba.”
 
As relações entre as espécies também fazem parte da biodiversidade. O mutualismo, que é uma forma de interação em que duas espécies se beneficiam mutuamente dessa relação, pode ser encontrado entre os cupins e as bactérias que vivem em seu aparelho digestivo e degradam a celulose, tarefa que o cupim não conseguiria realizar sozinho. Há outras relações, como a abelha, que carrega pólen e fecunda as flores, permitindo a variabilidade genética das plantas. 
 
Diversidade
Além da diversidade entre as espécies, existe a diversidade dentro das espécies. O milho, por exemplo, é possível ver a diversidade de milhos observando as diferenças em suas características, alguns apresentam grãos mais macios e outros mais duros, espigas maiores ou menores, ou seja, há diferenças mesmo dentro da mesma linhagem.  
 
Maura:“Podemos observar biodiversidade dentro da espécie humana, nesta sala de aula, como somos diferentes, mas fazemos parte da mesma espécie. A biodiversidade é a diversidade de organismos vivos e seus processos ecológicos: incluindo diversidade genética, diversidade de interações entre os indivíduos e diversidade de ecossistemas. Poderíamos incluir os fósseis, que não estão vivos.”
 
Como surgem as diferenças e como elas são mantidas caracterizando as espécies (grupos biológicos)?
Para responder essas questões é preciso buscar informações na genética. A principal fonte de variação para os organismos vivos são as mutações, que são alterações na seqüência do DNA, que é a principal fonte de variação que existe nas espécies, nas populações e nos indivíduos. 
Cada célula tem um conjunto de DNA e quando a célula vai se duplicar, o conjunto de seu DNA também é duplicado. Nesse processo de duplicação, quando a célula vai se dividir, muitas vezes acontecem erros, com isso, as células já serão diferentes. 
 
Origem de diversidade biológica
Quando um erro acontece em uma célula somática (célula que não está envolvida na reprodução) não tem implicação nenhuma para a origem da biodiversidade biológica, porque essa variação vai surgir e morrer com indivíduo. Mas quando essa variação ocorre em uma célula germinativa, existe a chance de passar essa variação, por meio dos espermatozóides ou óvulos, para aos descendentes. Com isso, está sendo introduzida essa variação naquela população. É assim que surgem as diferenças entre os indivíduos e entre as espécies, através de mutações que acontece nas células germinativas. Esse é o nível mais básico e principal de variação, conhecida como chamada de mutação de ponto. Há outros tipos de erros que podem ocorrer, como a deleção, neste há perda de dois pares de bases e a sequência do DNA fica com tamanho um pouco menor. Outro erro é uma inserção de um pedaço de DNA. 
 
A possibilidade de gerar variação genética nos seres vivos é muito vasta, pois os pedaços de DNA podem mudar de lugar no genoma, ocorrendo então a variação, que é o princípio da diversidade. 
 
Uma maneira de ocorrer diferenças dos caracteres na população é através da meiose, que é a divisão celular para formação de gametas. Nos machos são os espermatozóides e nas fêmeas, os óvulos. 
 
Para a formação dos gametas, ocorre o embaralhamento do material genético dos pais, portanto, os gametas são muito diferentes. Os gametas que formaram irmãos de mesmos pais e gestações separadas são diferentes, pois no momento da segregação os cromossomos seguem, aleatoriamente, para um gameta e para outro na duplicação da célula. Isso já é uma variação. Então, variação genética existe aos montes nas populações e nas diferentes espécies e é o princípio da origem da biodiversidade biológica. 
 
Como essa variação que surge no DNA vai definir novas espécies? 
Isso já faz parte do processo evolutivo, se não houvesse os erros durante a duplicação do DNA, não haveria diversidade biológica no planeta. 
 
Aluno: “Quando as pessoas gêmeas são idênticas tem alguma coisa a ver?”
Maura: “Nos gêmeos idênticos univitelinos houve a fusão do espermatozóide com o óvulo e durante a segmentação e o início da duplicação, no início do desenvolvimento, ao invés de ter um conjunto de célula passou a ter dois conjuntos, então são dois indivíduos idênticos geneticamente que vieram de uma única fecundação. Isso só ocorre quando são gêmeos idênticos”. 
 
Alunos: “No processo como você tinha falado dos gêmeos idênticos e quando não são idênticos?”.
Maura: “A mulher pode produzir dois óvulos e eles serem liberados ao mesmo tempo. Então são dois óvulos fecundados, há duas placentas, como se fossem duas gestações independentes, mas ocorrendo simultaneamente”.
 
 
Este texto tem como objetivo reportar a interação entre alunos e pesquisador e os conceitos tratados durante os encontros do programa “Adote um Cientista”. 
Encontro realizado em 23/06/2010.
 

 

 
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