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Dengue e saúde pública

A dengue é uma doença infecciosa e, atualmente, considerada um dos principais problemas de saúde pública no Brasil. Clésio Souza Soares, médico sanitarista do Hospital das Clínicas falou com os alunos do "Adote um Cientista" sobre como a denque é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A melhor forma de prevenir a contaminação é tomando os cuidados necessários para evitar a proliferação do mosquito vetor. Isso é feito eliminando focos de acúmulo de água, que são locais propícios para a sua criação. Clésio explicou que há 4 sorotipos do vírus causador da dengue - DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4, e a forma mais grave da doença é a dengue hemorrágica.

 

Os sintomas da dengue se manifestam a partir do terceiro dia após a picada do mosquito. O tempo médio do ciclo é de 5 a 6 dias. O intervalo entre a picada e a manifestação da doença chama-se período de incubação. É depois desse período que os sintomas aparecem.
Os sintomas da dengue clássica são: febre alta com início súbito; forte dor de cabeça; dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos; perda do paladar e apetite; manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores; náuseas e vômitos; tonturas; extremo cansaço; moleza e dor no corpo; muitas dores nos ossos e articulações. (Com informações do Portal do Ministério da Saúde).
 
Dengue hemorrágica
A dengue hemorrágica é o tipo mais grave da doença e se caracteriza por alterações na coagulação do sangue. No começo, os sintomas são como o da dengue clássica, porém, a partir do quinto dia, surgem às hemorragias que podem ser nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Se a dengue hemorrágica não for tratada com rapidez e da forma correta, pode levar à morte.
 
Ribeirão Preto
Na cidade, foram identificados os vírus 1, 2 e 3. Nesses vírus as cepas (tipo de classificação dentro de um vírus) são mansas. Entretanto, se acontecer a entrada de uma cepa grande (DEN-4, por exemplo), muitas mortes podem ocorrer. Para prevenir isso existe o Plano de Contingência, que prevê medidas para evitar as cepas violentas.
Para a comunidade ficar livre da dengue é preciso entender os fatores relacionados aos vírus, às pessoas e aos fatores epidemiológicos. Havendo pessoas contaminadas como vírus, quanto mais mosquito, mais chance de ficar doente. 
 
Aedes aegypti
O Aedes aegypti é um mosquito que voa baixo, geralmente ao amanhecer e ao anoitecer, mas se estiver em uma sala fechada pode ter comportamento igual a outros mosquitos. Ele tem se caracterizado como um inseto de comportamento estritamente urbano, sendo raro encontrar seus ovos ou larvas nas matas. Mesmo assim, macho e fêmea alimentam-se da seiva das plantas, presentes, sobretudo, no interior das casas. Apenas a fêmea pica o homem em busca de sangue para maturar os ovos. 
 
Em média, cada mosquito vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos de cada vez. Ela é capaz de realizar inúmeras posturas no decorrer de sua vida, já que copula com o macho uma única vez, armazenando os espermatozóides em suas espermatecas (reservatórios presentes dentro do aparelho reprodutor). 
Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície, em recipientes tais como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d'água descobertas, pratos de vasos de plantas ou qualquer outro que possa armazenar água de chuva. Quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco mais de 30 minutos. Em um período que varia entre cinco e sete dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito. (Com informações da Agência Fio Cruz)
 
O Brasil não está preparado para uma epidemia de dengue hemorrágica, pois não há leitos suficientes nem mesmo para os pacientes que pegaram a dengue clássica, por isso, o controle dos vetores é a melhor saída para evitar a doença.
 
Aluno: "Dá para diferenciar um mosquito do outro? (pernilongo do Aedes Aegypti)".
Clésio: "Se pegar e capturar eu vejo que um é mais rajadinho que o outro. Mas não dá para identificar se ele já está contaminado com o vírus. O vírus fica interno no intestino do mosquito".
 
Aluna: O número de plaquetas aumenta ou diminui?".
Clésio: "Plaqueta é uma célula do sangue. Essa plaqueta quando diminui deixa o sangue mais ralo e então há maior chance de sangramento. Quando dá hemorragia significa que a plaqueta caiu".
 
Aluna: "E se a pessoa tomar algum remédio errado?"
Clésio: "Existem alguns remédios que baixam as plaquetas, como, por exemplo, a aspirina. Quem está com dengue já corre o risco das plaquetas diminuírem, se tomar um remédio errado é um fator a mais e um erro médico pode levar a isso. Não pode tomar esses remédios que deixa o sangue ralo em caso de dengue".
 
Aluna: "Os países que tem o tipo 4 podem ter o tipo 1,2 e 3 também?".
Clésio: "Pode, mas a maioria é o 4. Na Ásia existem os quatro tipos e quem pega dengue na Ásia é só criança, pois os adultos já pegaram".
 
Aluno: "A sorologia é feita só para identificar o vírus?".
Clésio: "A sorologia é feita para confirmar se teve dengue. Para confirmar qual é o vírus eu tenho que pegar o sangue e tentar descobrir qual vírus está no sangue, se é o 1,2,3 ou 4".
 
Aluna: "A hemorragia pode deixar alguma sequela grave?".
Clésio: "Morte. Aqui no HC de Ribeirão, um moço de 22 estava internado há 12 dias no CTI com dengue hemorrágica. Ele não morreu, mais vai ficar com sequelas, como problemas de fígado. Ele tomou muita medicação para não morrer".
 
Aluna: "Uma pessoa mais fraca tem mais chance de ter a hemorragia?".
Clésio: "Uma pessoa mais debilitada, que tem AIDS ou acabou de sair de uma gripe, tem as mesmas chances que uma pessoa saudável. Não é esse fator que interfere e sim o caso de segunda infecção ou reação imunológica".
 
Clésio: "Por que os jovens têm mais chance de pegar o vírus que está circulando (vírus do tipo 1)?
"Porque estão mais vulneráveis, nasceram depois de 1990, que foi quando apareceram os vírus. Quem nasceu antes de 1990 já pode ter pegado o vírus tipo 1 e não pega novamente, mas corre o risco de ter o segundo tipo da doença".  
 
Vírus 4 da Dengue.
A presença do vírus 4  não era registrada no país há quase 30 anos. Em agosto de 2010, o Ministério da Saúde volta a registrar a presença desse vírus. Amostras de sangue de três pacientes de Boa Vista, em Roraima, que apresentavam sintomas da doença deram positivo para o vírus 4 em exames de isolamento viral realizado pelo laboratório público de Belém, Instituto Evandro Chagas. Como esse vírus não é registrado há muito tempo, a maioria da população não está imune e pode ocorrer uma epidemia nos próximos anos causada pelo DEN-4.
 
Este texto tem como objetivo reportar a interação entre alunos e pesquisador e os conceitos tratados durante os encontros do programa “Adote um Cientista”.   
Encontro realizado em 12/05/2010.
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