Pesquisar

         twitter logo  You Tube   

Enquete

Acesso o site...
 



Nosso boletim

Visitantes

Nós temos 173 visitantes online

Cadastro de Professores

                  
AddThis Social Bookmark Button
Eu fermento, tu fermentas e eles... Fermentam?
Sex, 13 de Agosto de 2010 12:57

Ela possui mais de três mil anos de idade e continua sendo novidade para muitos. Alguns já ouviram falar, mas não sabem do que se trata. Outros fazem uso, mas não conseguem dizer o que é. A fermentação, mesmo sendo velha conhecida, possui poucas pessoas que de fato a estudaram e, por isso, permanece incógnita para alguns. Quem poderia dizer o quão amplo é o prazer, acima de vinhos e queijos, que a fermentação poderia proporcionar?
Recentemente, durante uma entrevista para o programa "Roda Viva" da TV Cultura, o biólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Reinach, falou, entre outras coisas, sobre o prazer que as pessoas podem ter ao analisar o mundo sob a ótica do conhecimento científico, e, deste modo, conseguir entender e apreciar o mundo diferentemente do modo que o conheciam antes. Em uma realidade mais próxima ainda, podemos perceber o mesmo prazer quando um adolescente consegue entender um processo, por vezes complexo, e torna singular o modo como passa a entender essa situação.

 

Durante uma manhã, no anfiteatro vermelho do Hemocentro de Ribeirão Preto, acontecia mais um encontro do programa “Adote um Cientista” da Casa da Ciência. Entre uma explicação e outra, os alunos questionavam o experimento fermentação que acontecia – fazendo uso de bexigas e tubos de ensaio – quando, de repente, uma aluna espontaneamente deixa escapar: - “Ahhh! É assim que acontece... por isso o pão cresce!”, logo abriu um sorriso e, como se houvesse um brilho nos olhos, foi logo anotando em seu caderno, era como se escrevesse o primeiro capítulo de uma obra prima. 

É impossível mensurar a intensidade com que o conhecimento consegue seduzir um jovem, mas, diferentemente de programas televisivos baratos e “gordurosos”, ele é capaz de modificar o modo de raciocinar e enxergar a vida. Observei, nessa experiência, mais uma vez, o conhecimento iluminando os olhos de uma pessoa. Como consequência disso, observamos tal transformação que permitirá um olhar mais aguçado e que seja capaz de encontrar associações com maior facilidade.
 
É claro que tudo depende de como enxergamos as coisas: para os apreciadores de vinhos a fermentação é um processo perfeito e delicado. Os padeiros, em sua maioria, enxergam como “um ganha pão”. Para as crianças, nem lhes importa o que é fermentação, desde que hajam iogurtes e leites fermentados no mercado. E as donas-de-casa, que são verdadeiras especialistas em sua utilização, embora raramente dotadas de conceitos técnicos, são as que melhor indicaríamos para falar sobre fermentação. Afinal, quem nunca espreitou o preparo de um pão caseiro? Para aqueles que já tiveram essa oportunidade, devem ter reparado que, em dado momento, a massa fica “descansando”. Às vezes é colocado um pequeno pedaço da massa em um copo de água e quando ela começa a “boiar” significa que o pão está no “ponto”. Alguém já reparou no processo de mistura dos ingredientes e suas proporções respectivas? São metodologias seguidas à risca. Esses são alguns dos motivos, entre vários outros, que demonstram o conhecimento acerca da fermentação pelas donas-de-casa.
 

Naquela oportunidade, os jovens conseguiram entender a fermentação como um processo metabólico utilizado pelas células, para obtenção de energia na ausência de oxigênio, que acontece por meio da quebra da molécula de glicose. Por acontecer de maneira anaeróbica, a fermentação gera um número baixo de ATP se comparada à respiração. 
Trifosfato de adenosina (ou ATP) é o nome da molécula gerada na fermentação e que é responsável por carrear e disponibilizar energia para a célula, quando necessário. O ATP, entre outros assuntos, foi um dos mais discutidos.  Os alunos ficaram intrigados com a liberação de gás carbônico no experimento, responsável por fazer a bexiga inflar. Associando o experimento à produção de pão, conseguiram entender como o pão fica macio e saboroso. 
 
Outro assunto amplamente discutido foi a levedura Saccharomyces cerevisiae, que é um fungo unicelular que se reproduz principalmente por brotamento (tipo de reprodução assexuada comum entre alguns fungos). Enfileirados um a um, os meninos e meninas conseguiram visualizar esse pequeno organismo pelo microscópio, enquanto soltavam frases como – ”Parece uma bolinha”, ou então questionando – “Não é o açúcar que não dissolveu?”. Essa espécie de fungo é muito utilizada como modelo no estudo na Bioquímica, Genética e Biologia Celular, devido as suas características, como crescimento rápido, fácil manutenção e manuseio, além de não sofrer implicações éticas acerca de sua experimentação.
 
Depois da experimentação e da discussão, a ideia de que a fermentação é um “processo democrático” poderia adequadamente se estabelecer. Tão democrático que pode ser realizada por uma bactéria que vive no pântano ou pode acontecer diretamente em você. Ou seja, um organismo procarioto (em geral um indivíduo muito simples) ou organismos eucarióticos pluricelulares (com suas mitocôndrias e ciclo de Krebs) são capazes de realizar a fermentação. Não há restrição para seu uso, basta precisar de energia que ela certamente será uma boa alternativa.
 
 
Texto: Ádamo Siena.
Encontro do Adote um Cientista realizado em: 12/04/2010.
AddThis Social Bookmark Button
 

Envios recentes

Casa da Ciência

Publicações

 

Jornal das Ciências 
Folhetins 

 

 

 


Casa da Ciência 2011 - Hemocentro de Ribeirão Preto FMRP-USP