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Os aracnídeos escorpiões

Durante encontro do “Adote”, alunos aprenderam sobre as características dos escorpiões e o ambiente em que vivem. Escorpiões são aracnídeos e fazem parte de um grupo maior – os artrópodes (pés articulados), que abrangem também os insetos, crustáceos, quilópodes (lacraia) e diplópodes (piolho de cobra). Na aula, os alunos esclareceram algumas dúvidas com o biólogo Marcelo Pereira, da Casa da Ciência Galileu Galilei do Bosque Municipal Fábio Barreto de Ribeirão Preto.
O grupo também discutiu sobre os antepassados dos escorpiões que viveram na era Carbonífera, período no qual a concentração de oxigênio na atmosfera era maior do que hoje. Foi nesta época que se originaram as reservas de carvão mineral, que foram constituídas pelas grandes florestas pteridófitas (samambaias) fossilizadas. 
 
Marcelo: “O escorpião é inseto?”.
Alunos: “Aracnídeo?”.
Alunos: “Artrópode?”.
 
Os escorpiões são aracnídeos de oito patas que fazem parte de um grupo maior, os artrópodes (patas articuladas). Esse grupo abrange os insetos (formigas, baratas), aracnídeos, crustáceos (camarão, caranguejo), quilópodes (lacraia), diplópodes (piolho de cobra). 
O escorpião é um animal que possui cefalotórax, cabeça unida ou tórax, e o seu abdômen inclui o que chamamos de cauda. Para crescer esse animal passa por mudas, trocando seu exoesqueleto. Por enxergar mal, ele percebe o meio ambiente através de uma estrutura chamada pente, localizada na parte ventral do tórax, que permite ao escorpião tatear o solo para sentir as vibrações de sua presa.
Se a presa, normalmente inseto, for difícil de imobilizar, o escorpião utiliza seu aguilhão para injetar veneno e paralisar o animal. Ele pode usar essa estrutura para se defender, por isso são frequentes os acidentes com humanos. 
Todo escorpião produz veneno, mas nem todo veneno é poderoso para afetar uma pessoa. Alguns têm efeito apenas nas presas desses animais. De 1.500 espécies conhecidas no mundo, somente 25  produz veneno com ação para matar uma pessoa.
Aguilhão do escorpião/Foto: Jorge Nunes
Aguilhão do escorpião/Imagem: Jorge Nunes. 
 
Escorpião e o homem
Alguns escorpiões se adaptaram para viver nas residências. Dentre as espécies mais comuns estão: Tityus cambridgei; Tityus stigmurus; Tityus bahiensis, o Tityus serrulatus (amarelo). O escorpião amarelo é o mais encontrado, pois se adaptou muito bem ao ambiente urbano. Como essa espécie vence a competição com as demais,  no nordeste aconteceu um aumento do número de escorpião amarelo e diminuição do Tityus cambridgei, que era o mais comum da região.
 
Alunos: “Ele mata os outros?”;
Marcelo: “Não. Ele é mais esperto para conseguir comida”. 
 
Curiosidade
Todos os escorpiões amarelos são fêmeas e se reproduzem por partenogênese, ou seja, não precisam de um gameta masculino para gerar filhotes. 
 
Tityus serrulatus com filhotes originados por partenogênese/Imagem: Casa da Ciência. 
 
O passado 
Marcelo: “Os antepassados dos escorpiões viviam no mar (443 – 416 milhões de anos atrás). Eles não mudaram praticamente nada, porque será?”.
Alunos: “Porque eles já estavam adaptados”.
Marcelo: “Muito bem. Por isso eles se parecem com animais da pré-história. Durante um tempo viveram na água e saíam somente para caçar. Com o passar do tempo passaram a viver somente na terra. Podiam ter, naquela época, um metro de comprimento”. 
Alunos: “Por que diminuiu o tamanho?”.
 
Não foram somente os escorpiões que diminuíram no tamanho. Um dos fatores é que na era Carbonífera havia muito oxigênio, a concentração de oxigênio atmosférico era de 35 a 40%, contra a concentração de 20,84% nos dias de hoje. Isso possibilitou que fossem selecionados animais de maior porte. Com mais oxigênio disponível no ar, os animais eram maiores, mas com o passar do tempo o oxigênio foi diminuindo e, consequentemente, o tamanho deles também.  
Como a respiração dos artrópodes é traqueal - por meio da difusão de gases do meio externo que entram por pequenos canais distribuídos ao longo do corpo até chegar aos tecidos e células -, quanto maior a massa do animal, maior a dificuldade para que o oxigênio chegue em concentrações adequadas ao interior do corpo. 
 
Marcelo: “Por que carbonífera? Havia muitas reservas de carvão vindos das florestas que pegavam fogo. E por quê?”.
Alunos: “Raios, muito oxigênio”.
Marcelo: “Isso. O estudo do escorpião pode mostrar como era a Terra no passado”.
 
Informações
A era Carbonífera tem esse nome porque as reservas de carvão mineral atuais foram formadas durante esta era e são constituídas, em sua maioria, pelas grandes florestas pteridófias (samambaias) fossilizadas. 
 
Em Ribeirão Preto há quatro espécies de escorpiões, sendo que a maioria dos acidentes é com escorpiões amarelos (94% dos acidentes registrados nos anos de 2001 a 2004). 900 acidentes foram registrados na cidade em 1999, contra 205 no ano de 2009. Em 1999 teve início o combate ao entulho para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue (Aedes aegypti), com isso os escorpiões também diminuíram.
 
Os acidentes com escorpiões acontecem com mais incidência de outubro a dezembro, época quente e chuvosa em que esses animais se reproduzem mais, pois há aumento da oferta de alimentos (insetos). Como o escorpião é noturno, uma das medidas para evitar a sua presença é tapar os ralos em desuso das casas, que é por onde ele entra.
 
Apesar de popularmente conhecidos como escorpiões-marinhos, os espécimes marinhos do Siluriano não são relacionados com os escorpiões atuais. Estes animais representam os maiores artrópodes que já existiram na Terra, com dimensões que podiam alcançar dois metros de comprimento nos exemplares do gênero Pterygotus. Existiam também grandes escorpiões primitivos como Praearcturus Gigas, que também eram aquáticos e chegavam a medir um metro de comprimento.
 
 
Este texto tem como objetivo reportar a interação entre alunos e pesquisador e os conceitos tratados durante os encontros do programa “Adote um Cientista”.
Encontro realizado em: 07/04/2010.

 

 

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