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Semana Nacional do Cérebro 2015: Neurociência e Arte dentro (e fora!) da Casa
Ter, 14 de Abril de 2015 16:01

A Casa da Ciência participou, mais uma vez, da Semana do Cérebro, que é uma campanha global para divulgar os avanços e os benefícios trazidos pelo estudo do cérebro. O evento, que aconteceu entre os dias 16 e 22 de março de 2015, chegou à sua 19ª edição internacional e comemorou seu quarto ano no Brasil. Este ano, a Casa promoveu um encontro especial no Adote um Cientista com o Prof. Dr. Norberto Garcia-Cairasco, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e também foi à praça XV de Novembro, no centro de Ribeirão Preto, levar, entre outras coisas, o resultado de investigação do grupo “Fronteiras em Neurociências” que fez parte do programa Pequeno Cientista no segundo semestre de 2014.

 

Neurociência e Artes Visuais: das Cavernas à Contemporaneidade

O professor Cairasco iniciou sua fala destacando a importância da capacidade do ser humano de pensar. Ele apontou, inclusive, o paradoxo que é o estudo do cérebro: “O que a Semana do Cérebro celebra - o que nós que estudamos o cérebro celebramos o tempo todo - é a possibilidade de nós pensarmos”. Isso, segundo ele, é o grande limite da ciência: nós fazemos uso do próprio cérebro para tentar estudar e entender o cérebro, sendo esse o limitador de nossos avanços – não só na neurociência, mas para tudo.

O grande ganho que a evolução nos deu, segundo Cairasco, é a possibilidade de discriminar, antecipar e optar diante de fatos – ou seja, de pensar -, funções que são atribuídas, primariamente, ao córtex pré-frontal. O pensamento complexo e crítico, assim como a arte e a ciência, são funções superiores do cérebro humano e, por isso mesmo, devem ser muito valorizadas. Nesse sentido, o professor se propôs a contar, de forma breve, a história de como ciência e arte caminharam juntas ao longo do tempo.

Há vestígios de mais de 80 mil anos do uso de pintura corporal e de símbolos, que já eram reconhecidos e interpretados pelo ser humano primitivo. Pinturas rupestres, datadas de 40 mil anos atrás, parecem retratar cenas do cotidiano, como a caça e as condições meteorológicas. Ao chegar à modernidade, Cairasco apontou alguns fatos interessantes, como a precisão dos desenhos anatômicos de Leonardo da Vinci e a representação de uma criança que, aparentemente, sofria de epilepsia, na obra de 1517, A Transfiguração, de Rafael. Outros assuntos envolvidos com neurociência, como esquizofrenia, déja vu, alucinações e sonhos, foram resgatados ao longo de sua fala. Ele contou, por exemplo, que grandes gênios da arte, como Van Gogh, Dostoievsky e Machado de Assis, sofriam de epilepsia, uma condição que o próprio professor se ocupa de investigar a fundo. As emoções, tão comumente evocadas pela arte, possuem também bases bio e neurológicas – por exemplo, parece ser uma condição universal a capacidade de reconhecer expressões faciais, que serão as mesmas em todas as partes do mundo (como já havia sido apontado por Darwin, em uma de suas obras), ou seja, em qualquer lugar, expressões de medo, raiva e nojo podem ser facilmente identificadas por outras pessoas.

 

Pintando o sete, pintando o cérebro

Imerso no espírito de união entre as artes visuais e o estudo do cérebro, Cairasco coordenou a segunda parte daquela tarde com uma oficina de pintura que, em homenagem ao ícone da cultura ocidental, recebe o nome de Oficina Da Vinci. Os alunos foram estimulados a desenhar, colorir, colar e pintar figuras relacionadas a diversos ramos da neurociência, desde o encéfalo até o neurônio.

Mais cedo, em sua palestra, o professor já havia contado aos alunos um fato curioso sobre sua personalidade. “Eu tenho uma mania de ver neurônio em tudo”, dissera ele. Cairasco comparou, então, a estrutura de uma gramínea com a de um neurônio e demonstrou que, com pouco tratamento da imagem, era possível fazer até especialistas se confundirem: “Uma vez eu mostrei essa fotografia de uma gramínea em uma sala cheia de neurologistas. Eles começaram, logo de cara, a descrever a imagem como se falassem de um neurônio, apontando detalhes e especificidades das células. Quando revelei que era, na verdade, uma planta, foi uma surpresa geral”, ele contou, rindo.

Essa forma de se perceber padrões na natureza e usá-los como ferramenta para arte foi um dos aspectos que a oficina proporcionou aos alunos. De lápis de cor à tinta guache, alguns alunos foram além: cobriram o lobo occipital com algumas folhas de árvores encontradas nos próprios arredores do Hemocentro!

 

S.O.S. Cérebro na Praça

No sábado, 21 de março, o evento S.O.S. Cérebro na Praça reuniu diversos pesquisadores de Ribeirão Preto, levando à população informações sobre os mais variados temas: desde a qualidade do sono, memória, doenças neuronais, passando por tecnologias, atividades lúdicas... Além disso, a arte marcou sua presença: artistas de rua pintaram, ao vivo, telas com temas relacionados à comemoração e várias obras foram expostas.

O espaço da Casa uniu ciência e arte e expôs as obras feitas pelos alunos do Adote, na quinta-feira anterior, além de expor o trabalho do grupo “Fronteiras em Neurociências”, idealizado no programa Pequeno Cientista do segundo semestre de 2014, sob orientação do neurocientista Dr. Cleiton Lopes Aguiar. O grupo, que já havia apresentado seus resultados no 20º Mural da Casa da Ciência, discutiu aspectos como a consciência, o aprendizado e a memória, além de propor uma “Escola do Futuro”, tomando como base o que há de mais recente na neurociência.

 

A soma das partes, o cérebro como um todo?

Uma das grandes contribuições na fala de Cairasco, em sua palestra no Adote um Cientista, foi quando ele apontou que o pensamento complexo, crítico e criativo, além da capacidade de fazer arte e ciência, são funções emergentes do cérebro, cuja complexidade não é linear, ou seja, suas não resultam da soma de suas partes. Nesse sentido, ele apontou seu descontentamento com a separação entre arte e ciência, muito comum na cultura ocidental. Na verdade, o que fica cada vez mais evidente é que esse distanciamento entre ciência e arte pode mais prejudicar do que beneficiar. Ambas produzidas pelo cérebro, e limitadas também por ele, esses pilares da humanidade não devem ser somados como partes distintas, mas sim vistos como um todo complexo e indissociável: veio de Leonardo da Vinci, por exemplo, o anatômico e preciso desenho do corpo humano, assim como dele veio o intrigante e misterioso sorriso de Mona Lisa...

 


Espaço dos alunos

A partir da análise das filipetas da palestra Adote um Cientista, a equipe da Casa da Ciência produziu este infográfico destacando as principais dúvidas manifestadas pelos alunos e os principais conceitos aprendidos no encontro. A finalidade deste instrumento é a avaliação dos momentos de aprendizagem do aluno e valorização da sua dúvida.


 

Texto: Vinicius Anelli

Análise de Filipetas: Luciana Silva

Infográfico: Vinicius Anelli

 

 

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