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Abertura do Adote um Cientista (11º Ano)
Qui, 19 de Março de 2015 13:51

Eu queria dizer, talvez, alguma coisa que eu gostaria de ter ouvido naquela época, quando eu também estava aqui sentado nessas cadeiras, como vocês estão hoje. (...) Aproveitem! Porque esse é um momento extraordinário e do qual vocês sentirão muitas saudades depois”
O depoimento de Lucas Kava foi um dos momentos marcantes do primeiro encontro do Adote um Cientista de 2015. O ex-aluno, que participou dos programas da Casa entre 2011 e 2012, acaba de ingressar em primeiro lugar no curso de Economia da Faculdade de Economia e Administração (FEA), campus da USP de Ribeirão Preto, aprovado com louvor na FUVEST e em outros vestibulares.

Seu depoimento, segundo a Profa. Dra. Marisa Ramos Barbieri, coordenadora da Casa da Ciência e quem conduziu a abertura das atividades do Adote, é de vital importância para a equipe, por demonstrar resultados que, muitas vezes, não são visíveis para os próprios idealizadores do projeto. Com a palestra "Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto: alunos-professores-pesquisadores aprendem junto", a professora deu início às atividades de 2015 do programa.

Na Casa, segundo a professora, um dos diferenciais é a forma como os programas são avaliados. Há uma preocupação, entre a equipe, de registrar ao máximo as manifestações dos alunos durante encontros e palestras. Analisar o que os alunos falam, perguntam e expressam é uma das formas de avaliar os resultados alcançados.

A memória escrita foi outro aspecto bastante frisado na fala da professora. Segundo ela, logo no início, quando foi convidada para coordenar o programa, uma de suas exigências era que pudesse registrar e divulgar o que era feito. Sem essas práticas, a memória se perde e é como se nenhum avanço tivesse sido atingido. Escrever, de fato, não é só uma tradição da equipe, como também dos alunos.

Esse aqui é o meu caderninho daquela época, eu ainda tenho ele”, contou Lucas aos novos alunos. “E ele faz parte da minha história, sabe? Mesmo que eu tenha aprendido muita coisa aqui na área da biologia e hoje eu estou ingressando em um curso de ciências econômicas, que não tem muito de biologia lá, eu queria ressaltar para vocês a importância de fazer anotação. Tudo que eu aprendi aqui na Casa eu consegui usar em todos os momentos da minha vida depois que eu aprendi, sabe? Durante o cursinho, durante o preparo pro vestibular, eu tinha maiores conhecimentos sobre, por exemplo, diabetes, do que meus colegas de classe. E isso é muito importante”.

Na Casa da Ciência os alunos têm a oportunidade de trabalhar diretamente com o pesquisador. “Essas são as pessoas que estão produzindo o conhecimento, que têm acesso às últimas descobertas de sua área. Para chegar num livro didático o que vocês verão aqui, demora, no mínimo, cinco anos. Daí a importância de tomar nota e ter o caderninho”, disse a Profa. Marisa.

Ela também ressaltou que não é só o aluno que se beneficia com isso. O próprio pesquisador tem a chance de se avaliar, refletir sobre seus estudos e fazer conexões entre diversos conceitos ao tentar torná-los mais claros para os alunos que acompanham sua fala.

“Na prática, o pesquisador ensina e o professor pesquisa? Não”, completou a Profa. Marisa. A pesquisa é avaliada, ao contrário do que acontece na escola. Na escola, a nota, embora seja um número que representa uma condição a ser analisada, tem substituído a avaliação. Se fosse, de fato, uma avaliação, não seria só isso.

De fato, o que se observa no Brasil é um distanciamento entre a escola e a pesquisa. E isso não é culpa do professor. “Como o professor vai fazer pesquisa se em sua formação não houve um preparo para isso?”. No cenário atual, é possível identificar uma supervalorização das Universidades pela pesquisa, o que acaba prejudicando a educação: universidade no topo é universidade com alta produtividade científica, e isso acaba marginalizando a importância da educação, a qual poderia ser rigorosamente avaliada. E o incômodo dessa realidade é um dos pilares que sustentam a Casa da Ciência.

“Mas deve ser ressaltado que a Casa só dá certo porque tem a Escola como base e o interesse de vocês, alunos. Sem isso, a Casa da Ciência desapareceria. A gente depende da escola, porque lá vocês aprendem vários conceitos e estudam diversos temas, porém de forma geral. Aqui, vocês têm a chance de trabalhar alguns desses temas e conhecê-los mais a fundo. A partir disso, com a vontade de vocês, podem buscar, estudar e se aprofundar em qualquer outro tema pelo qual se interessem”, explicou Marisa aos alunos.

Fernando Rossi Trigo, da equipe da Casa, ressaltou que em 2015 se inicia o décimo-primeiro ano do programa Adote um Cientista e que as coisas mudaram muito ao longo do tempo. Ele explicou que há essa preocupação constante em se avaliar e repensar as diretrizes dos programas e que, na tentativa de sempre aprimorá-los, todo novo ano vem com algumas modificações. “A ideia desse primeiro encontro é que vocês entendam o que pretendemos desenvolver juntos nos próximos meses. Que percebam que esse programa, do qual vocês começam agora a fazer parte agora, já vem sendo construído há vários anos”, contou ele.

A trajetória da Casa também foi relembrada no encontro, tendo sido mostrados os diversos programas desenvolvidos desde seu início. O Adote um Cientista, que começou em 2005, já recebeu mais de dois mil alunos. Outro programa, o Pequeno Cientista, já desenvolveu mais de 60 projetos de pesquisa em apenas três anos de existência. Marisa mostrou imagens ilustrando a história da Casa, pontuando diversos eventos, como o Mural (que em 2015, chega à sua 21ª edição), Saltimbancos da Ciência, Férias com Ciência, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e Semana Nacional do Cérebro... Enfim, são 11 anos de história, mais de 2600 alunos em programas regulares e 10.500 visitantes em diversas atividades desenvolvidas!

A primeira tarde de Adote do ano veio para relembrar o que já foi feito no passado e dar um gostinho do que ainda está por vir. Uma forma de dar boas-vindas ao novo ano de Adote, para alunos novos e alunos já veteranos, além de verificar alguns resultados, como o depoimento de Lucas, e, por que não, algumas conquistas: “E se eu pudesse dizer para mim mesmo naquela época, eu diria: aproveitem e estimulem muito a criatividade de vocês nesse espaço. Porque a gente tem muito espaço aqui que nunca mais eu tive em qualquer outro lugar da minha vida, pelo menos até agora, ingressando na faculdade...”.

 

Texto: Vinicius Anelli

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