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Cientistas criam 'mini-estômagos' em laboratório
Qua, 29 de Outubro de 2014 16:07

Cientistas utilizaram células-tronco para criar os primeiros "mini-estômagos" de laboratório, que são minúsculos aglomerados de tecido gástrico que podem auxiliar em pesquisas sobre câncer, úlcera e diabetes. Os organoides gástricos, que compõem o tecido, contêm células em estágio inicial - que são "uma versão em miniatura do estômago" -, afirmaram os pesquisadores.

Segundo o estudo do Cincinnati Children's Hospital Medical Center, publicado na revista Nature, os "mini-estômagos" foram produzidos a partir de células-tronco pluripotentes estimuladas para se especializar em células gástricas. 

 

As células-tronco pluripotentes têm despertado enorme interesse como uma futura fonte de tecidos para transplante desenvolvido em laboratório. Elas são obtidas a partir de embriões nos primeiros estágios de desenvolvimento e células adultas reprogramadas ao seu estado juvenil, denominadas células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPS. Contudo, muitos problemas surgiram nesse campo, a começar pelo desafio de fazer essas células se diferenciarem ou desenvolver órgãos específicos.
O desafio consiste em identificar as etapas químicas que ocorrem no desenvolvimento embrionário, quando as células se diferenciam, dando origem a tipos específicos de células que formam o estômago. Os cientista replicaram essas etapas em placas de Petri, fazendo com que as células-tronco pluripotentes dessem origem a células endodérmicas, blocos de construção dos tratos respiratório e gastrointestinal. Elas foram, então, impulsionadas bioquimicamente para se tornar células do antro, a região do estômago que secreta muco e hormônios.
Ainda em estágio preliminar, os organoides ainda estão longe de servir como tecido de reposição ou produzir um estômago completo. No entanto, testes preliminares feitos em camundongos sugerem que poderão no futuro servir como "curativos" para buracos causados por úlceras pépticas.
Os organoides também representam um avanço importante na forma de estimular as células-tronco a dar origem a estruturas tridimensionais, afirmaram os cientistas.
Os "mini-estômagos" também serão úteis como plataforma de testes para o estudo de doenças como câncer, diabetes e obesidade. "Até agora, não havia uma forma forma adequada de estudar doenças estomacais em humanos", afirmou Jim Wells, pesquisador responsável pelo estudo. "O estômago humano é muito diferente do de outros animais. As células diferenciadas e sua estrutura e arranjo nos nossos tecidos estomacais desenvolvidos em laboratório foram virtualmente idênticos ao que encontraríamos normalmente no estômago", prosseguiu.
Em um primeiro experimento, os cientistas usaram os organoides para ver como a bactéria Helicobacter pylori, conhecida por causar úlcera, infecta as células que revestem o estômago.

 

 

Fonte: Fance Press.

Imagem: McCracken/Nature.

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