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Brasileiro ganhador do 'Nobel' da matemática despertou seu interesse pela ciência no ensino fundamental

"Hábitos bem simples podem despertar o gosto pela matemática", revela o matemático Artur Ávila. O pesquisador brasileiro de 35 anos foi o primeiro matemático da América Latina selecionado para receber a Medalha Fields, uma espécie de "Nobel da Matemática". O prêmio foi entregue no dia 12 de agosto durante o Congresso Internacional de Matemática, na Coreia do Sul.

Entre 1936 e 2010, 52 pesquisadores receberam a medalha, dos quais 12 dos Estados Unidos e 10 da França, países que mais conquistaram o prêmio.

O matemático ocupa a Cátedra Arminio Fraga no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) - organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Atualmente, o pesquisador divide seu tempo entre o Rio de Janeiro e Paris, na França, onde também é diretor de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Segundo Artur Ávila, bons insights (ou novas ideias) podem surgir naturalmente durante uma caminhada na praia ou até mesmo nos momentos de descontração em bares e cafés. "Não gosto de trabalhar muito em escritório, em geral escrevo meus artigos na cama", diz.

Trajetória

Artur Ávila diz que a facilidade e gosto pela matemática começaram bem cedo. Em 1992, teve o seu primeiro contato com a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). "Não fui muito bem, mas obtive uma medalha de bronze na OBM Junior [direcionada aos alunos do ensino fundamental] e na cerimônia de premiação conheci o Impa pela primeira vez."

A Olimpíada foi o primeiro passo para se dedicar mais aos estudos na área. "Ao mesmo tempo, comecei a ter contato com pesquisadores do Impa, isso me levou a me concentrar mais em matemática", afirma. Seu objetivo era deixar os interesses de lado para tentar conquistar, no segundo grau, uma bolsa de iniciação científica no Instituto. E deu certo.

Em 1995, após ganhar uma medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, a instituição logo notou seu talento e o convidou para integrar a equipe de jovens estudantes. "Era algo bem diferente do que eu vinha fazendo, mas gostei muito e me adaptei bem, deixando as olimpíadas de lado."

O estudante premiado saiu do curso de iniciação científica direto para o mestrado. Mais tarde, em 2001, após concluir o doutorado, se mudou para Paris, e obteve por dois anos um emprego temporário no College de France até conquistar em 2003 a vaga de pesquisador permanente na CNRS, onde permanece até hoje.

Em 2006, o então pesquisador recebeu uma bolsa do Clay Mathematics Institute, que lhe permitiu continuar suas pesquisas por três anos em qualquer lugar do mundo - e ele escolheu fazê-lo no Impa.

Atualmente, as pesquisas de Arthur Ávila se concentram na área de sistemas dinâmicos. "É uma área grande, um dos assuntos principais é o estudo em longo prazo, do comportamento de processos que evoluem com o tempo. São utilizados muitos métodos diferentes, os meus favoritos são análise, real e complexa, e probabilidade", destaca o pesquisador.

Importância das Olimpíadas

O exemplo de Artur Ávila reforça o papel fundamental das olimpíadas para o estímulo do ensino da matemática nas escolas de todo o País. Muitos estudantes se tornaram pesquisadores a partir do contato com a competição, "o que costuma servir de ponte para um contato futuro com a pesquisa acadêmica", aponta o matemático.

"Claro que nem todo matemático precisa passar pelas olimpíadas, e existem muitos cujo estilo não é 'olímpico'. Mas é uma excelente maneira de ter um contato com algo muito mais interessante do que costuma ser apresentado nas escolas, e isso costuma servir de ponte para um contato futuro com a pesquisa acadêmica", completa.

Embora sua experiência tenha sido com a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), que seleciona e prepara as equipes para participarem das principais competições internacionais, como a Olimpíada Internacional de Matemática, o pesquisador acredita na importância da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), criada em 2005. "A competição está claramente fazendo um trabalho importante e que é visível por uma parte muito maior da população", afirma.

A partir da inserção de competições como essa no calendário escolar, os alunos aprendem de forma descontraída. Segundo o matemático, projetos educacionais que desafiam a lógica e o espírito investigativo dos estudantes são capazes de transformar regras, cálculos e fórmulas em exercícios de descontração.

"Tem-se a impressão que a matemática envolve um monte de regras que devem ser seguidas mecanicamente, quando a realidade é que se trata principalmente de um processo criativo. O contato com um professor que entenda isso bem, e demonstre entusiasmo pela matéria, pode ser decisivo", ressalta Artur Ávila.

Pesquisa e iniciação científica

O matemático também acredita que, além das competições, o contato com a pesquisa acadêmica no campo da iniciação científica também estimula e aproxima os estudantes da disciplina. "A matemática é uma disciplina muito ativa e que lida com objetos lindos das mais diversas naturezas, e não com a manipulação repetitiva de fórmulas mais e mais complicadas."

O pesquisador também destaca que as pesquisas desenvolvidas no país têm avançado e alcançado patamar de qualidade internacional. "Pesquisadores que trabalham no Brasil obtiveram muito resultados importantes em várias áreas da matemática. Indícios visíveis disso são as muitas publicações nas melhores revistas e a participação crescente de pesquisadores no Congresso Internacional de Matemáticos."

 

Fonte: Portal Brasil.

Imagem: IMU.

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