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O nascimento da abelha solitária

Abelha Megachilidae que emergiu do ninho de folhasQuarto encontro – 19/01/2012

Este dia os jovens foram recebidos com uma grande notíca: uma abelha Megachilidae emergiu do ninho de folhas coletado no encontro anterior. Depois de depositado, o ovo demora cerca de 50 dias para desenvolver-se em abelha adulta e sair do ninho. Por isso, foi uma oportunidade ímpar os alunos observarem a abelha e junto com o especialista, Ricardo Couto, identificarem a família e as características desse grupo. E mais uma vez os jovens puderam colocar a mão na massa: abriram, observaram e catalogaram cinco ninhos-armadilha. Nesta atividade conheceram o ciclo de vida de vespa e de abelha parasita, a localização do casulo no ninho e a diversidade entre eles.
 
A estrutura do ninho diz muito sobre o ciclo de vida e o desenvolvimento do ovo em larva e, posteriormente, da larva em pupa e abelha adulta. A abelha mãe bota o ovo sobre o pólen que depositou anteriormente no ninho. O ovo se transforma em larva, que se alimenta deste pólen. Alimentada, ela cresce e vira pupa – que é o casulo. É nesta etapa que vai formar o olho, as asas e todas as estruturas do corpo da abelha. Considerando que a abelha demora 50 dias para emergir do ninho, os alunos chegaram a conclusão de que o pólen observado junto ao ninho é de 50 dias atrás.  Também foi possível identificar o sexo da abelha. Era uma abelha macho, pois ela não tinha muito pelos na parte ventral (abdômen). Isto pode ser considerado uma especialização, já que é a fêmea que coleta o pólen e necessita de um número maior de pelos para realizar esta tarefa. 
 

Pólen encontrado no ninho de

folhas da abelha Megachilidae visto

no microscópio com aumento 400 vezes

A aluna Yasmin ficou com dúvida quanto ao papel do macho no cuidado com a prole: "A fêmea nasce e vai construir o ninho e o que o macho faz?”. “Geralmente o macho não ajuda construir ninho. Muitas vezes fica nas flores esperando a fêmea pegar o pólen e quando ela chega, ele copula. Ele se alimenta de pólen também”, explicou Ricardo. 

 
Depois que foram tiradas as dúvidas quanto ao ciclo de vida da abelha solitária, os jovens observaram o pólen que estava no ninho e descobriram que a abelha coletou o pólen de apenas uma espécie de flor.
 
Ricardo falou um pouco sobre as abelhas parasitas, que invadem o ninho e botam sobre o pólen que outra abelha trouxe. Elas também podem depositar os ovos sobre a larva, então o ovo se desenvolve, transforma-se em larva e se alimenta da larva originada do ovo depositado pela abelha que construiu o ninho. Durante a conversa os alunos se empolgaram com o parasitismo e viram que essa relaçao é importante para a sobrevivência do parasita, por isso, seu ciclo de vida é condicionado ao ciclo do hospedeiro:
 
Fernando Trigo (coordenador do evento): “A abelha parasita teria pelos no corpo? Ela teria estruturas especializadas?”
 
Alunos: “Ela não tem necessidade, porque ela não precisa pegar o pólen”.
 
Ricardo Couto (coordenador do evento): “Uma estrutura que a abelha parasita tem, é o ovipositor, que é a estrutura utilizada para botar os ovos. O ferrão que vemos nas abelhas é um ovipositor modificado. Algumas fêmeas parasitas têm esse ovipositor modificado, não em ferrão, mas têm uma estrutura para romper o ninho que ela vai invadir para depositar os ovos”. 
 
Ádamo Siena (coordenador do evento): “Se ela é parasita, o desenvolvimento é mais rápido ou é mais lento da abelha parasitada?”.
 
Ricardo: “É regulado com o desenvolvimento da hospedeira. Se não, o hospedeiro nasce e mata a parasita. É sempre sincronizado”. 
 

Mão na massa
 
Em grupos, os alunos analisaram cinco ninhos-armadilha que foram colocados sobre uma prateleira no fundo do MuLEC no final de novembro de 2011. A tarefa dos jovens era abrir e identificar se os ninhos eram de abelhas ou de vespas. Como os ninhos estavam fechados por barro, logo concluíram que se tratava de ninhos de vespas, as Trypoxylium sp. Esta é uma característica deste inseto.
 
      
Jovens abriram os ninhos-armadilha
 
Os alunos observaram que alguns ninhos estavam com os casulos mortos, outros com abelhas parasitas mortas. Havia ainda um ninho com aranhas mortas, identificado como alimento para as larvas, que supostamente foi colocado pela mãe vespa, que é um inseto predador. Todos os ninhos tinham uma gama grande de informações, que davam pistas sobre de qual animal era o ninho.
 
Ninho-armadilha de vespa eclodido
Nos ninhos em que as larvas e os casulos não se desenvolveram, os jovens levantaram dúvidas sobre as causas da morte, que poderia ter ocorrido devido a parasitas ou até mesmo temperatura. Havia dois ninhos que as vespas emergiram, neles os casulo estavam posicionados no fundo do ninho. A hipótese levantada é que a vespa construiu os ninhos no fundo como um mecanismo de defesa para a abelha parasita não chegar até lá, pois aqueles em que as vespas não nasceram tinham três casulos ao longo do ninho, ocupando todo o espaço. Isso pode ter atraído a atenção da vespa parasita.
 
No final do encontro todos levantaram perguntas com os conceitos trabalhados durante a abertura dos ninhos. Estas dúvidas deveriam dar origem a projetos de pesquisas que poderiam ser desenvolvidos pelos alunos, foram eles: As diferenças entre os tipos de veneno das abelhas; As condições apropriadas de temperatura para a vida da abelha; Como a abelha realiza a para escolha dos materiais na confecção do ninho. 
 
Estruturas encontradas pelos alunos nos ninhos:
 
Ninho A Ninho B Ninho C Ninho D Ninho E
-9 aranhas
-Ninho fechado
-Ausência de ovos

-2 Casulos

-2 Pupas em desenvolvimento (idades diferentes)

-Sem alimento

-3 Vespas parasitas mortas (Chrysididae

-8 Aranhas

-1 Casulo

-2 Casulos com eclosão normal (posicionados no fundo do ninho)

-Nasceu

-2 Casulos com eclosão normal (posicionados no fundo do ninho)

-Nasceu

 
Redação: Gisele Oliveira
Revisão: Fernando Trigo e Ricardo Couto
 
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